Fernando Francischini

Tarifaço dos EUA entra em vigor e amplia pressão sobre exportações brasileiras

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma ampla lista de produtos brasileiros começou a valer nesta quarta-feira (22). A medida foi oficializada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e passa a incidir sobre mercadorias embarcadas a partir da entrada em vigor da decisão. Produtos que já estavam em trânsito antes do início da cobrança permanecem isentos, desde que desembarquem dentro do prazo estabelecido pelas autoridades americanas.

Segundo o governo norte-americano, a nova tarifa atinge mais de 2.300 produtos brasileiros, que representaram cerca de US$ 7,2 bilhões em exportações do Brasil no último ano. Ao mesmo tempo, uma lista de exceções preserva parte relevante das vendas brasileiras para o mercado americano, incluindo produtos como café, carne bovina e suco de laranja.

Entre os setores que passam a enfrentar a sobretaxa estão segmentos da indústria de calçados, confecção, móveis, máquinas e equipamentos, etanol, açúcar e diversos produtos manufaturados. Representantes desses setores já manifestaram preocupação com a perda de competitividade no mercado americano, alertando para possíveis reduções nas exportações e impactos sobre a produção e o emprego no Brasil.

Especialistas avaliam que empresas mais dependentes das vendas aos Estados Unidos poderão enfrentar queda nas encomendas, necessidade de renegociação de contratos e busca por novos mercados internacionais. O impacto, entretanto, deve variar conforme o grau de exposição de cada setor ao comércio com os EUA e a capacidade de redirecionar parte da produção para outros países.

A decisão faz parte da política comercial adotada pelo presidente norte-americano Donald Trump e ocorre após uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos sobre práticas comerciais envolvendo o Brasil. Enquanto Washington sustenta que a medida busca corrigir distorções comerciais, o governo brasileiro considera a tarifa injustificada e estuda medidas diplomáticas e jurídicas em resposta.

Comentário do Delegado Francischini

“Quem paga a conta de uma guerra comercial nunca é o político. É o trabalhador que perde o emprego, o empresário que deixa de vender e a família que vê a economia desacelerar. O Brasil precisava ter colocado os interesses nacionais acima de disputas políticas e buscado uma solução pela via diplomática. Quando falta diálogo entre governos, quem sofre são os brasileiros que dependem da indústria, do comércio e das exportações para colocar comida na mesa.”