Fernando Francischini

Mais de 40 mil brasileiros foram assassinados em um ano: violência continua devastando famílias em todo o país

Mesmo com a redução registrada nas estatísticas nacionais, o Brasil ainda contabilizou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025. Isso significa que, em média, mais de 110 pessoas foram assassinadas por dia no país.

Os dados são do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que aponta uma queda de 8,2% em relação ao ano anterior. Ainda assim, os números deixam claro que a violência permanece em um patamar alarmante e continua destruindo milhares de famílias brasileiras todos os anos.

Outro dado que chama atenção é que sete estados registraram aumento nos homicídios, demonstrando que a melhora observada na média nacional não aconteceu de forma uniforme.

O levantamento também revela quem mais sofre com a criminalidade. Das vítimas de mortes violentas intencionais, *79,7% são negras, *90,8% são homens e 41,6% têm entre 18 e 29 anos. Jovens brasileiros continuam sendo as principais vítimas da violência.

Embora a taxa nacional tenha alcançado o menor índice desde 2012, os números mostram que o Brasil ainda convive diariamente com uma realidade incompatível com qualquer sensação de segurança. São dezenas de milhares de vidas perdidas, famílias destruídas e comunidades marcadas pelo medo.

Comentário do Delegado Francischini

Os números mostram que ainda estamos muito longe de vencer a guerra contra o crime.

Não existe motivo para comemoração quando mais de 40 mil brasileiros são assassinados em apenas um ano. Cada homicídio representa uma família destruída e uma demonstração de que o Estado falhou em proteger um cidadão.

O Brasil precisa abandonar a política de complacência com o crime organizado. Facções criminosas continuam dominando territórios, financiando o tráfico, recrutando jovens e impondo o medo em diversas regiões do país.

Defendo um endurecimento real da legislação penal e uma política nacional de enfrentamento às organizações criminosas. Nosso plano para a segurança pública propõe medidas como enquadrar facções como organizações terroristas, criar um regime de exceção para líderes do crime organizado, eliminar benefícios para criminosos reincidentes e ampliar o combate ao domínio territorial das facções.

Enquanto o criminoso tiver mais medo da lei do que a população tem do criminoso, estaremos no caminho certo. Hoje, infelizmente, essa realidade ainda está distante.