Fernando Francischini

Ditador Daniel Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua e aprofunda ruptura democrática

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não realizará mais eleições, encerrando qualquer possibilidade de alternância democrática de poder. A declaração foi feita durante as comemorações do aniversário da Revolução Sandinista, quando o líder nicaraguense afirmou que “não haverá mais eleições” para impedir que a oposição volte ao governo.

No poder de forma ininterrupta desde 2007, Ortega vem sendo acusado por organismos internacionais e entidades de direitos humanos de promover um processo contínuo de concentração de poder. Nos últimos anos, opositores foram presos ou exilados, partidos políticos perderam espaço, veículos de imprensa independentes sofreram restrições e diversas organizações da sociedade civil foram fechadas pelo regime.

A declaração representa um novo capítulo no endurecimento do regime nicaraguense. Segundo analistas, a medida elimina qualquer expectativa de disputa eleitoral futura e consolida o modelo de governo centralizado exercido por Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, que atualmente ocupa o cargo de copresidente após mudanças constitucionais promovidas pelo próprio governo.

O anúncio provocou reações internacionais. O governo dos Estados Unidos condenou a decisão e pediu que a comunidade internacional amplie o isolamento diplomático da Nicarágua, classificando a medida como mais um passo na consolidação de um regime autoritário.

A Nicarágua já era alvo de críticas da comunidade internacional desde a repressão aos protestos de 2018, quando centenas de pessoas morreram durante manifestações contra o governo. Desde então, o país enfrenta denúncias recorrentes de perseguição política, prisões de opositores, restrições às liberdades civis e enfraquecimento das instituições democráticas.

Comentário do Delegado Francischini

“O anúncio de Daniel Ortega escancara aquilo que toda ditadura faz quando não consegue mais conviver com a democracia: acaba com o direito do povo escolher seus governantes. Nenhum regime autoritário nasce de um dia para o outro. Primeiro enfraquecem as instituições, perseguem opositores, silenciam a imprensa e concentram poder. Depois, quando já não existe resistência, eliminam as eleições. O que aconteceu na Nicarágua serve de alerta para toda a América Latina. Democracia não se perde apenas com tanques nas ruas; ela também pode ser destruída aos poucos, quando a liberdade deixa de ser defendida.”