Uma história que comoveu o país reacendeu o debate sobre a demora no acesso a tratamentos de alto custo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Larissa Amorim Soares, de 33 anos, morreu após aguardar por 59 dias o fornecimento do medicamento blinatumomabe, imunoterapia considerada essencial para o tratamento da leucemia e que já havia sido garantida por decisão judicial.
Moradora da Bahia e em tratamento em São Paulo, Larissa era mãe de dois filhos e enfrentava uma batalha contra a doença. Segundo familiares, o medicamento seria utilizado como etapa fundamental antes da realização de um transplante de medula óssea. Apesar da determinação da Justiça para o fornecimento imediato do remédio, a medicação não foi entregue a tempo.
Durante o período de espera, a paciente precisou seguir com protocolos de quimioterapia. Seu estado de saúde se agravou após uma infecção, levando à internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde morreu antes de iniciar a imunoterapia.
O caso gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre a efetividade do cumprimento de decisões judiciais envolvendo tratamentos de urgência. Familiares cobram esclarecimentos sobre os motivos da demora, enquanto entidades ligadas à defesa de pacientes oncológicos apontam que situações semelhantes têm se repetido em diferentes regiões do país.
Especialistas ressaltam que, em casos de câncer, o tempo é determinante para o sucesso do tratamento. Atrasos no fornecimento de medicamentos podem comprometer significativamente as chances de recuperação do paciente, principalmente quando a terapia faz parte de uma sequência necessária para procedimentos como o transplante de medula óssea.
O caso de Larissa voltou a colocar em discussão a necessidade de maior agilidade na execução das políticas públicas de saúde, especialmente quando já existe decisão judicial determinando o acesso ao tratamento.
Delegado Francischini comentou o caso:
“É revoltante ver uma decisão da Justiça ser ignorada enquanto uma vida depende de um medicamento. Quando o Estado falha em cumprir uma ordem judicial e o paciente morre esperando, não estamos falando apenas de burocracia, estamos falando de uma tragédia. Quem enfrenta uma doença grave não pode esperar meses por um tratamento que já foi reconhecido como um direito. Precisamos cobrar responsabilidade e garantir que situações como essa nunca mais se repitam.”


