Fernando Francischini

Brasil registra 110 suicídios de policiais em um ano e escancara crise silenciosa na segurança pública

Enquanto o debate sobre segurança pública costuma se concentrar no combate ao crime, uma realidade preocupante continua crescendo dentro das próprias corporações policiais.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que *110 policiais civis e militares tiraram a própria vida em 2025. Além disso, *139 agentes foram vítimas de mortes violentas intencionais, demonstrando que aqueles responsáveis por proteger a população também enfrentam uma rotina marcada por riscos extremos e forte desgaste emocional.

Embora o número de policiais mortos em confrontos tenha apresentado redução em relação aos anos anteriores, o levantamento mostra que os casos de suicídio seguem uma tendência preocupante. Desde 2017, o número de policiais que cometeram suicídio aumentou 37,8%, evidenciando uma crise que ultrapassa a violência das ruas e alcança o ambiente interno das instituições.

Os dados reforçam um problema frequentemente ignorado pelo poder público: a saúde mental dos profissionais da segurança. Jornadas exaustivas, exposição permanente ao risco, pressão psicológica, falta de estrutura adequada e o desgaste acumulado ao longo da carreira fazem parte da realidade de milhares de policiais brasileiros.

A segurança pública depende diretamente da valorização daqueles que colocam a própria vida em risco diariamente para defender a sociedade. Ignorar esse cenário significa comprometer não apenas a qualidade do trabalho policial, mas também a proteção da população.

Comentário do Delegado Francischini

Quem veste uma farda assume diariamente o compromisso de proteger vidas, mesmo colocando a própria em risco. Mas o Estado não pode abandonar aqueles que dedicam a vida à segurança da população.

É inaceitável que mais de uma centena de policiais tenha tirado a própria vida em apenas um ano. Esses números mostram que a valorização das forças de segurança não pode ficar restrita ao discurso. É preciso investir em melhores condições de trabalho, estrutura, apoio psicológico permanente e reconhecimento profissional.

Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que muitos policiais continuam sendo mortos porque enfrentam organizações criminosas cada vez mais estruturadas e violentas.

Defendemos um plano nacional de enfrentamento ao crime organizado que devolva autoridade ao Estado. Entre nossas propostas estão o enquadramento das facções criminosas como organizações terroristas, o regime de exceção para integrantes do crime organizado, o trabalho obrigatório para presos e a criação de um presídio federal de segurança máxima na Amazônia para isolar definitivamente os líderes das facções.

Proteger quem protege a sociedade é um dever do Estado. Sem policiais valorizados, preparados e respeitados, não existe segurança pública forte.