Fernando Francischini
Imagem: Senado Federal

Tolerância Zero: as organizações terroristas brasileiras

Eu começo o Tolerância Zero de hoje com uma pergunta: pra você, facção criminosa que atua em diversos países do mundo é ou não uma organização terrorista?

Esse assunto veio à tona hoje porque um encontro recente entre o presidente brasileiro, Lula e o novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, revela algo que o Brasil precisa começar a tratar com firmeza: o crime organizado deixou de ser apenas um problema policial e passou a ser um problema de segurança internacional.

Organizações criminosas x organizações terroristas

As facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, já operam há anos além das fronteiras do país. Elas controlam rotas de tráfico que passam por países vizinhos, especialmente pela Bolívia, uma das principais portas de entrada da cocaína que abastece o mercado brasileiro e segue para a Europa. Esse nível de organização, estrutura financeira, presença internacional e capacidade de violência coloca essas facções em um patamar muito mais próximo de organizações terroristas do que de simples quadrilhas.

Esses grupos dominam territórios, impõem regras à população, desafiam o Estado e utilizam o terror como instrumento de controle social. Em muitas comunidades, são eles que determinam quem vive, quem morre e como as pessoas devem se comportar. Isso é domínio territorial armado, característica típica de organizações classificadas como terroristas em várias partes do mundo.

Declarar essas facções como organizações terroristas permitiria ao Brasil ampliar significativamente seus instrumentos de combate. A legislação internacional abre caminhos para cooperação mais ampla entre países, bloqueio de ativos financeiros em escala global, monitoramento internacional e atuação mais forte contra redes de apoio e financiamento. Sem uma estratégia conjunta entre os países, as facções brasileiras vão continuar em expansão.

O Brasil precisa encarar essa realidade: facções que controlam territórios, executam inimigos, financiam operações internacionais e desafiam o Estado funcionam como estruturas de poder paralelas, que usam o medo e a violência para manter sua autoridade. Reconhecer essas organizações como terroristas é um passo estratégico para dar ao Estado brasileiro mais ferramentas, mais cooperação internacional e mais capacidade de reação diante de um fenômeno que já ultrapassou as fronteiras do crime tradicional.
A segurança pública do Brasil depende de decisões firmes e de uma visão clara sobre o tamanho real da ameaça que estamos enfrentando. E, claro, vontade política para colocar a segurança das famílias no centro da discussão.

Vocês concordam comigo, me chamem no whatsapp e vamos conversar mais sobre isso. Esse é o Tolerância Zero da TVCI. Até a próxima semana.