Encontro reuniu banqueiros e donos de grandes grupos; entre os convidados, Joesley Batista, da JBS, e André Esteves, do BTG
A pouco mais de um mês do primeiro turno, Lula (PT) recebeu 16 empresários — todos homens — em jantar no Palácio da Alvorada na noite desta segunda-feira (31). Foi o primeiro encontro do petista com o empresariado desde o início da campanha.
À mesa estavam André Esteves (BTG), Roberto Setúbal (Itaú Unibanco), Trabuco Cappi (Bradesco), Rubens Ometto (Cosan), Rubens Menin (MRV) e Joesley Batista, da JBS — o mesmo empresário que protagonizou uma das delações premiadas mais rumorosas da história recente do país. Pelo governo, compareceram Alckmin, os ministros Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa e Bruno Moretti, além dos presidentes do BNDES, do Banco do Brasil, da Caixa e do PT.
A aproximação vem sendo construída há meses. Em julho, Durigan já havia se reunido com representantes da Faria Lima para sinalizar que um eventual quarto mandato seria mais austero. Parte dos mesmos empresários esteve, dias antes, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) — encontro que, segundo relatos de presentes, foi bem avaliado pelo setor.
O jantar que desmente o discurso
Não é preciso ser especialista em política para entender o que aconteceu no Alvorada. É o mesmo presidente que faz carreira discursando contra “os ricos”, contra “o mercado” e contra “os banqueiros” sentando à mesa com os donos dos maiores bancos e dos maiores grupos do país — a portas fechadas, com ministros da área econômica e os chefes de BNDES, Banco do Brasil e Caixa ao lado.
O discurso é para o palanque. A mesa é para quem realmente importa na hora de financiar e sustentar um projeto de poder.
E o mais grave não é o jantar em si — é o contraste. Enquanto no Alvorada se serve jantar para bilionários, o brasileiro que trabalha vê a conta subir todo mês: mais imposto, mais burocracia, mais preço no supermercado, mais dificuldade para manter o pequeno negócio aberto. Para o cidadão comum, não há acesso, não há reunião reservada, não há sinalização de “austeridade” feita em particular. Há o boleto.


