Fernando Francischini
O Brasil não pode virar palco para criminosos

Não podemos admitir que o Brasil vire palco de bandido

Hoje eu quero trazer pra vocês um dos temas mais falados do momento para que a gente possa, juntos, fazer uma reflexão.
Eu quero falar sobre a inversão de valores que temos acompanhado no Brasil.


Ouçam essa história: lembram daquela condenada por um crime emblemático, Suzane von Richthofen, a que matou os pais a pauladas. Lembram dela? Pois é, essa assassina reapareceu na esfera pública. Mas agora por motivos diferentes. Após o lançamento de uma série de televisão que conta a história de criminosos conhecidos dos brasileiros, a loja virtual de Susane, que vende chinelos, voltou a funcionar e a criminosa celebrou o aumento nas vendas que ocorreu logo depois da repercussão da série.

Isso é um verdadeiro absurdo meus amigos. Não podemos celebrar assassinos, criminosos e nem dar palco pra essa gente!

Suzane cumpre regime aberto, por isso não é proibido que ela trabalhe. No entanto, há um desafio moral a ser ressaltado: quando uma pessoa literalmente condenada por homicídio de seus pais obtém visibilidade e essa exposição gera lucro, cabe perguntar: que mensagem isso envia para a sociedade? Há quem entenda que isso pode dar a impressão de “premiação pelo crime”. Esse risco deve ser enfrentado com clareza: a reinserção existe, mas não pode haver glamourização do crime.

Essa série traz à tona casos reais de crimes de grande repercussão – e a nova loja de Suzane capitaliza parte desse interesse. Isso coloca um questionamento sobre o papel dos meios de comunicação e do entretenimento: quando transformam certas figuras em personagens populares, estão promovendo a curiosidade ou a celebração do crime? 

A responsabilidade social exige que o crime não seja romantizado, que vítima e norma social não sejam esquecidas. Em resumo: o caso evidencia que sem uma estrutura moral, sem limites, esse mesmo espaço pode virar instrumento de relativização de valores essenciais: justiça e, especialmente neste caso, o respeito à vida.

Se queremos uma sociedade que preza pela ordem, pelo valor da iniciativa privada, pelo respeito às leis, esse tipo de episódio exige do público e dos meios de comunicação uma postura consciente.